DIA DO CERRADO

Publicado em 22 de Setembro de 2014

O site de notícias Campo Grande News entrevista Nereu Rios no dia do Cerrado

Ele já derrubou árvores, mas agora seu sonho é o museu da semente

(Caroline Maldonado)


Depois de anos de experiência na madeireira da família, o douradense Nereu Rios resolveu fazer o caminho inverso. Em 1990, ao invés de investir na derrubada das árvores, ele começou a pensar em como elas nascem. De lá para cá, o paisagista já produziu mais de 1 milhão de mudas, o hobbie virou paixão e nasceu o sonho de criar o museu da semente, que hoje é compartilhado com a esposa Lucilene Bigatão. A ideia é mostrar aos sul-mato-grossenses como o paisagismo do Estado perde ao deixar de lado árvores do cerrado para dar lugar a tendências de mercado.


Nereu mora em Campo Grande e tem um viveiro onde produz cerca de 20 mil mudas por ano e a cada semente que recolhe cultiva o sonho de ver os moradores darem valor √†s √°rvores do cerrado, bioma que tem seu dia comemorado hoje, 11 de setembro. ¬ďNos anos 70, eu trabalhava com meu tio. Naquela √©poca, em 1972, o Governo incentivava a desbravar o sert√£o. Eu vi derrubar at√© cerejeira e tudo foi ficando na minha mem√≥ria. A√≠, em Campo Grande, a monocultura tomou conta e os c√≥rregos se esvairam, como o √Āgua Boa e Laranja Doce. Ent√£o isso fez eu come√ßar a pensar que aquilo que voc√™ derrubou em 3 minutos leva 100 anos para se ter de novo¬Ē, disse.

Para o paisagista, as √°rvores do cerrado ainda n√£o t√™m o reconhecimento que merecem por parte da sociedade por uma quest√£o cultural, mas cada projeto de reflorestamento √© um est√≠mulo para continuar o trabalho com as esp√©cies nativas. ¬ďH√° tr√™s anos, com o projeto Via Verde, plantei ip√™ branco e magn√≥lia, na rua Rio Grande do Sul, na rua Jos√© Ant√īnio plantei ip√™ e flamboiam, al√©m de balsamo na rua Pedro Celestino. Parece uma coisa boba, mas isso no futuro vai ficar lindo, vai chamar aten√ß√£o das pessoas¬Ē, conta.


Cerrado no paisagismo ¬Ė O paisagista d√° dicas simples para quem quer plantar no quintal ou na cal√ßada algo que enalte√ßa o cerrado ao inv√©s de usar uma planta ex√≥tica. Segundo Nereu, gastando apenas R$ 7 j√° √© poss√≠vel adquirir uma muda nativa, que vai embelezar um local, al√©m de ser espa√ßo para as aves do cerrado que, frequentemente, se aventuram pelos ares das cidades.

¬ďUma muda de 70 cent√≠metros custa sete, se tiver um tamanho maior chega a custar R$ 50 reais, o que √© barato porque aquela muda j√° vai ter tr√™s anos, pelo menos. Ent√£o, muitas vezes as pessoas n√£o imaginam como pode fazer a diferen√ßa optar por uma planta do cerrado, sem gastar muito¬Ē, explica Nereu.

Para quem quer ornamentar a cal√ßada, contemplando as plantas nativas, o paisagista d√° as dicas. ¬ďOnde n√£o passa a rede de luz, as pessoas podem plantar balsamo ou quaresmeira. Onde tem rede de luz, pode ser plantado o ip√™ branco. At√© a cerejeira, sendo cuidada para ficar em um tamanho menor, pode ser plantada¬Ē, explica.

Com o viveiro de 10 mil metros, o paisagista tem mais de 60 esp√©cies, incluindo de mata atl√Ęntica e regi√£o amaz√īnica, como a√ßai, a bacaba e a pupunha. Esse para√≠so para quem vive na cidade, mas ama o cerrado fica no bairro Ch√°cara dos Poderes, mas pela internet mesmo, no site www.nereurios.com, j√° se pode ter uma ideia da jornada de Nereu e a fam√≠lia, que ajuda na coleta de sementes.